Um dos jogos mais tensos da nossa história
Você sabe o gosto de um murro na cara?
O Colors, a muito custo , tinha conseguido 03 empates em 22 jogos.
Na 13º Semana de atividades, em 1991, fomos jogar numa estranhíssima quadra, no Centro da cidade, quase na praça Princesa Isabel.
Sabe o que é mais estranho? A quadra existe até hoje, no meio de 500 lojas de peças pra Motocicletas, próximo ao lugar que é conhecido como o Shopping das motos. E do lado da crackolândia.
O fato do time perder 19 jogos em 22 fez aparecer uma meia dúzia de abnegados para jogar naquele dia. 70% do elenco abandonou o time e a situação beirava o irremediável.
Chegamos pra jogar numa baita bocada, o adversário feito de só caras todos mais velhos e em 20 pessoas,
Já nós uma meia dúzia de moleques de 18 a 20 anos.
O adversário simplesmente jogou os dois quadros na base da intimidação. O jogo se transformou numa pancadaria generalizada e o jogador Marcelo passou metade do tempo trocando sopapos com um adversário.
O engraçado é que não precisava nada disso, pois os caras eram nitidamente superiores e o jogo estava no controle deles todo o tempo. Eles venceram por goleada os dois quadros.
Os caras batiam, provocavam e eu só falava:
- Nós estamos em 06, os caras tão em 20, eles fazem isso por que eles podem. Não cai na provocação deles. Só joga e vamos embora, não adianta cair na conversa deles, se a gente procurar briga, nós vamos sair daqui num caixão...
O Jogador Marcelo, puto da vida, por não poder arrumar briga, resolve responder com futebol: faz uma linda jogada individual, deu um drible humilhante no cara que o provocou o tempo todo, deixa o cara sentado no chão e faz um gol de cinema.
E passa em frente ao cara caído no chão, rindo e gritando, deliberadamente.
O cara em silêncio não falou nada, mas na primeira dividida depois disso, foi pra cima do Marcelo e falou: E aí, você sabe o gosto que tem um murro na cara?
Foi difícil, mas sobrevivemos. Sem maiores confusões.
Você pode achar que isso não doeu ou não marcou, é coisa de jogo, depois todo mundo esquece.
Eu e o Marcelo fomos tomar cerveja em 2005. 14 anos depois!
O Marcelo falou comigo sobre aquele dia. Os caras fizeram o que fizeram porque nós éramos meia dúzia de moleques indefesos.
O Marcelo me disse que, se pudesse, faria de tudo pra encontrar aqueles caras de novo. Era um sonho de consumo dele.
Ele queria poder responder: Não, eu não sei o gosto que tem um murro na cara, porque eu não levei. Só que você vai descobrir porque agora sou eu que vou te dar um murro na sua cara, otário!
É aquela velha história: quem bate, esquece. Quem apanha...

Comentários
Postar um comentário