Pelo menos, hoje não foi de 09!!!

Na 4º semana de 1991 a gente foi jogar na 2º quadra mais longe da nossa casa em toda a história do time.
O jogo era na Rua Diana, em pleno bairro da Pompéia, a menos de 1 Km do hoje Allianz Parque, estádio do Palmeiras!!!
Eu havia trabalhado a dois quarteirões dali, vendendo cachorro quente.
Sabia que o goleiro e técnico Leão morava naquela rua, porque eu já havia visto ele passar em frente a minha barraca de cachorro quente algumas vezes. Eu não sei se ele mora lá até hoje porque isso já faz 25 anos, gente!
Espero que o Leão não tenha ido ver o nosso jogo, porque foi um daqueles cacetes memoráveis do Colors!
Após um segundo quadro aceitável, o primeiro quadro foi presa fácil do adversário , que nos impôs um sonoro 11x02!!!
Foi triste, por que o time apesar das derrotas vinha em evolução: no primeiro jogo foi 9x3, no segundo 9x4 e no terceiro 9x6...
A gente esperava ser mais competitivo, mais demos o azar de pegar um adversário fortíssimo .
E, em quadras que ficavam longe, tradicionalmente, tinha muitas faltas. O que minava a qualidade do time.
Como curiosidade, essa foi a minha despedida do 1º quadro.
Depois disso, foram 12 anos jogando no 2º quadro. Eu joguei no primeiro quadro só em eventualidades, ou até mesmo catando no gol. Naqueles dias que faltava meio time.
Mas a maior qualidade do Colors apareceu no vestiário: a espiritualidade. O bom humor.
Tel – Quanto acabou o jogo?
Beto (desanimado) – 11x 02!
Tel – Tá bom, pelo menos hoje não foi de 09!!!
11 é melhor que 9???
Rimos e seguimos adiante. No Revoltados, um diálogo desses seria simplesmente impossível.
A pressão por resultados e números era sufocante. Era uma outra época.
Se o Colors teve alguma virtude, foi a de nos tornar humildes e baixar nossa bola. Isso foi útil no Revoltados, porque quando a molecada começava a vencer e se achar auto-suficiente, quem mantinha eles na rédea éramos nós, os mais velhos. O pessoal de apoio e suporte.
Nós comemos o pão que o diabo amassou com a bunda para eles terem o
Nós tivemos que aprender na raça. E da pior maneira possível...
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